LIÇÃO11
UM TOQUE NA LÍNGUA - Lição11

Criação: Prof. Eduardo F. Paes - Porto Alegre, RS




   Após uma semana de intensas chuvas e de temperaturas quase glaciais, segundo os cariocas mais friorentos, vamos encontrar de volta à pracinha em frente ao colégio, o Professor Edu e boa parte de seus alunos para mais um Dia do Tira-Dúvidas.

- Olá, Professor Edu! Nossa, choveu tanto na semana passada que até pensei que teríamos de vir fazer as provas de canoa ou barquinho...

- É verdade, Norminha. Há muito tempo que não chove tanto assim no mês de junho aqui no Rio, e fazendo também este frio tão intenso. E do jeito que a maioria dos cariocas ama o sol e o calor, deve haver por aí muita gente acendendo fogueirinhas em seus apartamentos para se esquentar.

- Eu, por exemplo, Professor Edu, fiquei estudando esses dias todos embaixo de mil cobertores e edredons; e quase acendi mesmo uma fogueirinha no meu quarto. Ninguém merece este frio! Bruuuu!... Aliás, aproveitando o frio,ou melhor, aproveitando o que eu disse de ficar embaixo de mil cobertas pra fugir do frio, quero lhe perguntar se esse "embaixo", que falei, deve ser escrito junto ou separado?

- Veja bem, meu friento Lucas. Nosso sistema ortográfico possui algumas incoerências. Uma delas é o caso de "embaixo". Quando é que devemos juntar ou separar essa palavrinha? Aí vai então o primeiro toque de hoje para vocês: quando "embaixo" for o contrário de "em cima", que deve ser escrito separadamente, daí a incoerência ortográfica de que falei antes, este "embaixo" deve ser escrito junto. No entanto, se a palavra "baixo" for um adjetivo, então ela será autônoma, como, por exemplo, na frase "muitas pessoas só sabem reclamar em baixo calão, em baixa linguagem".

- Quer dizer, meu bom Mestre, que o meu "embaixo" das cobertas deve ser escrito junto, bem juntinho pra me aquecer mais ainda, né?

- Isso mesmo, Lucas! Pelo fato de seus mil cobertores e edredons estarem "em cima" de você, estes o deixarão bem aquecidinho "embaixo" deles. Guardou?

- Professor Edu, talvez o Lucas esteje com tanto frio assim porque ele é muito preguiçoso!

- Opa, Epa, Opa!...

- Xiiii, Zeca! Quando o Professor Edu vem com esse opa, epa, opa dele, pode esperar que a gente falou alguma besteira... Qual será a asnice que você falou agora?

- Calminha aí, Lucas! O Zeca realmente falou uma palavrinha de modo incorreto, porém este fato de se falar "esteje" e mesmo "seje" está se espalhando entre as pessoas como se fosse uma epidemia; e isto tem me preocupado bastante...

- Me desculpe, Professor Edu. Eu sei que o correto é dizer "esteja" em vez de "esteje", mas é que desejando falar rápido para sacanear o Lucas, acabei não pensando muito bem no que ia dizer. A culpa também é do frio que ainda está fazendo e que não deixa a gente raciocinar direito.

- Fala sério, Zeca! Agora até o frio leva a culpa pelos micos que você costuma pagar!? Puts!

- Lucas, vamos dar uma chance ao Zeca, afinal ele admitiu que errou e até soube retificar o erro. Em verdade, muita gente tem dúvida sobre o uso das formas "esteja " e "seja". Assim como o Zeca empregou impensadamente a forma "esteje" no lugar de "esteja", existe também quem substitua " seja " por "seje". Esse fato lingüístico é perfeitamente explicável porque a terminação -e aparece com freqüência no presente do subjuntivo. Lembram-se daquele toque que lhes dei para utilizar na conjugação desse tempo?

- Eu me lembro bem, Professor Edu! O Senhor nos disse que em verbos terminados em -ar, a conjugação termina em -e, como nos verbos falar, explicar, namorar, que possuem suas formas da primeira e da terceira pessoas do singular no subjuntivo desta maneira: "quer que eu fale sobre a festa..."; "quer que ele explique a lição..."; "quer que eu namore com você...".

- Oba! Claro que eu quero, gata!!! Vamos então pegar um cineminha hoje? Com o frio que está fazendo, não existe lugar melhor pra se namorar. Hummm...

- Sem chances, Lucas! Pode ficar na companhia de suas mil e uma cobertas, porque eu já tenho um gato muito fofinho para me aquecer, ouviu?!

- Olha, Norminha, você lembrou muito bem deste meu toque; mas alguém pode não lembrar de eu ter falado também que, apesar de o certo, pela regra, ser "e" a vogal básica do presente do subjuntivo dos verbos terminados em -ar, isso não acontece com O verbo estar, porque ele é uma exceção . Por exemplo, a frase correta, quando usamos o verbo estar no presente do subjuntivo, é "a diretora quer que eu esteja amanhã na escola para uma reunião de professores"; e não "...quer que eu esteje...". Continue agora sua ótima explicação para seus colegas. Está indo muito bem!

- Certo, Mestre. O Senhor também nos falou que com verbos terminados em -er e -ir, a conjugação do presente do subjuntivo termina em "a". Por exemplo, nos verbos fazer e correr, temos as formas "quer que eu faça esse trabalho para você?"; "espero que o Rubinho Barrichello corra mais do que o Felipe Massa."

- Ihihihih, agora a garota delirou! Viajou legal mesmo!!! Achar que o Rubinho possa correr mais do que o Massa... Só pode estar delirando!!!

- Luquinhas, dá um tempo, tá legal, cara?!

- Continue, Norminha, continue! Faltam somente alguns exemplos de verbos terminados em -ir.

- Bem, Professor Edu. Com a terminação -ir, podemos encontrar, por exemplo, os verbos permitir, corrigir, sorrir, formando frases como "nós desejamos que a diretora permita a realização da nossa festa junina";"esperamos que o Senhor corrija sempre nossos erros com muito bom-humor e que sorria sempre para a vida!" Ahahah... Gostou dos meus exemplos, Mestre?

- Gostei de tudo, Norminha: das explicações e dos exemplos também. Parabéns, menina!

- Vou agora concluir este ponto relembrando que a forma "seja" trata-se do presente do subjuntivo do verbo ser. Como lembrou muito bem a colega de vocês, os verbos terminados em -er levam a vogal básica "a" no presente do subjuntivo. Exemplo: "desejo que você, Lucas, seja um aluno tão estudioso quanto a sua colega Norminha!"

- Ihihihih... Outro que também está tendo delírios por causa do frio! Aí, São Pedro! Acho melhor o Senhor melhorar logo o tempo aqui no Rio de Janeiro antes que vá todo mundo para o hospício!

- Tá certo, Lucas! Seja lá o que Deus quiser! Turma, então guardem bem isso: nada mais de "esteje" ou "seje", pois estas formas não existem. O correto é "esteja" e "seja", certinho? Bem, vamos agora comer umas pipocas quentinhas que estão acabando de sair ali naquela carrocinha, já que o cheirinho delas está irresistível. Depois a gente continua o Tira-Dúvidas, ok, galera?


"A competência para grafar corretamente as palavras está diretamente ligada ao contato íntimo com essas mesmas palavras. Isso significa que a freqüência do uso é que acaba trazendo a memorização da grafia correta. Além disso, deve-se criar o hábito de esclarecer as dúvidas com as necessárias consultas ao dicionário. Trata-se de um processo constante, que produz resultados a longo prazo."

(Pasquale Cipro Neto & Ulisses Infante, Gramática da Língua Portuguesa)


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"Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma, continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O Professor, assim, não morre jamais..." - Rubem Alves


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Responsável: Prof. Eduardo F. Paes (Porto Alegre, RS)


"É pela educação, mais do que pela instrução, que se transformará a Humanidade." - Allan Kardec


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