LIÇÃO09
UM TOQUE NA LÍNGUA - Lição09

Criação: Prof. Eduardo F. Paes - Porto Alegre, RS




   Entrando em sala de aula, o Professor Edu é logo interpelado por alguns alunos, que, de imediato, perceberam seu semblante mais jovial e fagueiro do que normalmente já se apresenta. E entre gracejos e ironias bem-humoradas, questionadores do motivo daquele estado tão prazenteiro, O Professor Edu apressa-se a passar a notícia que o deixara daquele jeito.

- Calma, turma! Não, não ganhei na Mega-Sena; nem uma viagem num transatlântico ao redor do mundo; nem meu Vasco da Gama foi campeão; e tampouco o Flamengo foi rebaixado para a segunda divisão! O motivo deste meu ar de satisfação, logo de manhã cedo, é que ouvi uma notícia muito boa pelo rádio, enquanto tomava café.

- E que notícia muito boa é essa, Mestre? A gente, ultimamente, só tem ouvido notícias ruins sobre crimes de toda espécie, corrupção por todo lado; por todo o mundo têm acontecido mais e mais furacões, ciclones, enchentes, terremotos... até no Brasil agora tem terremoto, é mole!?

- É verdade, Norminha! Apesar de minha profissão exigir que eu me mantenha sempre atualizado, confesso a vocês que muitas vezes eu passo um fim de semana inteiro sem ouvir um noticiário sequer. Não leio jornal algum e muito menos o televisor eu ligo. Para me reabastecer com energias mais positivas, procuro ler um romance mais leve, ou algum livro bem edificante; ouvir músicas mais alegres, ou relaxantes; ou mesmo assistir a uma comédia romântica no DVD. Mas a causadora de todo este meu bom-humor matinal foi a notícia de que a personagem Mônica, aquela mesma das revistas de quadrinhos, que eu adorava ler quando era garoto, foi nomeada a nova embaixadora do turismo brasileiro.

- Ah, Mestre. Eu também adoro as revistinhas da Turma da Mônica. E por que a Mônica foi escolhida embaixadora do turismo?

- Porque acreditam, Janete, que podem promover o Brasil por meio da alegria da Turma da Mônica em mais de 40 países, onde os personagens são conhecidos, em mais de 22 idiomas.

Pensam também que principalmente as crianças de outros países vão querer conhecer o Brasil, terra da Mônica, e com isso irá aumentar o turismo dentro do País. E aumentando o turismo, decerto aumentará o número de empregos, e mais empregos significarão mais renda também.

- Puxa, Professor, acho que isso vai ser uma boa para nosso país, não vai?

- Luana, se todo o trabalho que envolve essa idéia for realmente levado a sério, creio que terá tudo para favorecer o turismo brasileiro, sim. E tenho muita esperança de que realmente vai dar certo, porque à frente dele está o próprio criador da Turma da Mônica, o Maurício de Sousa, que no dia em que sua principal personagem recebeu o título de embaixadora do turismo brasileiro, disse que vai lançar livrinhos com a Turma da Mônica visitando as várias regiões do Brasil, para incentivar o turismo interno e estimular as pessoas a conhecerem o país.

- Que pena não existirem revistas de quadrinhos em braille para cegos, Professor Edu. Gostaria tanto de ler eu mesmo essas historinhas. Já andaram me contando algumas, mas ouvir contadas por outra pessoa nem sempre é a mesma coisa...

- Olha, Zé Luís, elas não existem em braille, mas já podem ser lidas no formato digital.

- Ué, como assim, Professor?...

- É que um amigo meu, lá de Salvador, um baiano muito porreta, teve a genial idéia de transcrever para o formato digital e adaptar as descrições para deficientes visuais algumas histórias em quadrinhos, que ficaram bem legais. Você gostaria de experimentar lê-las neste formato para ver se lhe agrada?

- Puxa, Mestre, claro que sim! Como posso receber essas historinhas?

- Me envie um e-mail depois que eu lhe repasso o endereço eletrônico deste meu amigo, que se chama Luís Campos, a fim de você mesmo entrar em contato com ele e solicitar as tais historinhas. Diga a ele que você é meu aluno, pois tenho plena certeza de que será muito bem atendido. Combinado?

- Combinado, Mestre. Valeu mesmo!

- Bem, pessoal, Turma da Mônica e histórias em quadrinhos à parte, vamos continuar agora a nossa aula dos diferentes empregos da palavra "porque". Veremos hoje o "porque" escrito junto, que deve ser empregado nas respostas que apresentam uma explicação. Este "porque" equivale a "pois", "porquanto", "uma vez que", "pelo fato de que". Guardem estes exemplos: "Comprem logo as entradas para o jogo de domingo, porque o estádio vai ficar lotado"; "Ela não gostou do livro, porque era difícil de ler"; "O ônibus chegou atrasado, porque havia muito trânsito naquela hora"; "O espetáculo foi adiado, porque choveu muito"; "Fi-lo porque o quis".

- Ei, Professor, esta última frase me lembrou aquela que o presidente Jânio Vargas falou uma vez: "Fi-lo, porque qui-lo", quando inaugurou Brasília, e que era considerado o "Pai dos Pobres" e abria sempre seus discursos com a famosa frase "Brasileiros e brasileiras, trabalhadores do meu Brasil", não é mesmo?

- Opa, Epa, Opa! Que confusão de presidentes você acabou de fazer aí, meu rapaz!

- Como assim, Mestre? Eu falei alguma besteira?...

- Uma besteira só, não, seu mané. Você falou uma salada mista de besteiras e asneiras! Também, quem mandou ficar matando as aulas de História do Brasil... Puts, meus sensíveis ouvidinhos estão doendo até agora com tanta...

- Calminha aí, Lucas! Deixa eu desfazer esta confusão presidencial rapidinho para o Ederbal.

- Tá bom, Mestre. Também com um nome desses, a gente não poderia exigir um Einstein na turma, né? Ahahah...

- Sem comentários, Lucas! Bem, vamos então às explicações, Ederbal. Em primeiro lugar, quem pronunciou esta famosa frase "fi-lo, porque qui-lo" foi o presidente Jânio Quadros, que não chegou a cumprir todo seu mandato, renunciando a ele em 25 de agosto de 1961, poucos meses depois de ter assumido. Jânio, além de político profissional, era também professor de Português, e muito provavelmente deve ter feito essa construção frasal para dar um efeito mais debochado em sua resposta, já que a construção gramatical mais adequada é a que falei anteriormente, ou seja, "fi-lo, porque o quis". Nós ainda veremos esta questão da colocação pronominal em aulas futuras com mais detalhes.

- E quais foram as outras besteiras que falei sobre os presidentes, Professor Edu?

- Na verdade, Ederbal, você andou misturando as frases e ditos característicos de alguns presidentes brasileiros. Por exemplo, quem era intitulado o Pai dos Pobres foi o presidente Getúlio Vargas, uma forma de marketing político criada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda de seu governo e que conseguiu implantar na população brasileira o culto à personalidade do presidente, durante o chamado Estado Novo. Em seu governo, os direitos dos trabalhadores passaram a ser amparados pela lei; e quando se dirigia a eles em seus discursos, Getúlio costumava iniciá-los com a famosa saudação: "Trabalhadores do meu Brasil!"

- E quem começava os seus discursos dizendo "Brasileiros e brasileiras" era o presidente José Sarney, não é isso, Professor Edu?

- Isso mesmo, Zé Luís. E para terminar estes breves esclarecimentos históricos, quero lhe dizer, Ederbal, que Brasília foi inaugurada pelo presidente Juscelino Kubitschek, em 21 de abril de 1960.

- Puxa, Mestre, que mico eu paguei, hein?

- Mico!? Você pagou foi um bando de gorilas, cara!!!

- Ei, Lucas, eu gostaria de saber o porquê de tanta implicância comigo?

- E eu gostaria que o Lucas me dissesse como se escreve esse "porquê" da pergunta do Ederbal?

- bem, Mestre... Deixa eu pensar só uns minutinhos... Hummm...

- Olha, turma, como não temos muito tempo para esperar o Doutor Sabe Tudo pensar em sua resposta, vou lhes explicar que a palavra "porquê", com acento e escrita junta, atuando como substantivo, substitui as palavras "motivo", "razão", "causa" e "pergunta". Anotem estes exemplos: "Ninguém, até hoje, entendeu muito bem o porquê (o motivo) da renúncia de Jânio Quadros à Presidência da República"; "Todos aguardavam explicações sobre os porquês (as razões, as causas) da implicância de Lucas com o Ederbal"; "Ela é uma pessoa cheia de porquês (de perguntas)". Neste caso do emprego do "porquê", pessoal, é importante guardar que não estão implícitas as palavras "motivo, razão, causa e pergunta", pois o "porquê", simplesmente, aparece no lugar de cada uma delas.

- Professor Edu, quando será o nosso próximo Dia do Tira-Dúvidas lá na pracinha?

- Semana que vem, Luana. E até lá, estudem bem estes casos de emprego dos porquês, já que será matéria de prova também. Um ótimo fim de semana a todos e até o nosso encontro lá na praça! "Na mesma praça, no mesmo banco, com as mesmas flores e no mesmo jardim; tudo é igual, mas não estou triste, porque eu tenho vocês perto de mim!!!"


"A competência para grafar corretamente as palavras está diretamente ligada ao contato íntimo com essas mesmas palavras. Isso significa que a freqüência do uso é que acaba trazendo a memorização da grafia correta. Além disso, deve-se criar o hábito de esclarecer as dúvidas com as necessárias consultas ao dicionário. Trata-se de um processo constante, que produz resultados a longo prazo."

(Pasquale Cipro Neto & Ulisses Infante, Gramática da Língua Portuguesa)


UM TOQUE IMPORTANTE AOS DEFICIENTES VISUAIS:

PROCURE LER TAMBÉM EM BRAILLE, ELE O AJUDARÁ A FIXAR MELHOR A GRAFIA DAS PALAVRAS.


"Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma, continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O Professor, assim, não morre jamais..." - Rubem Alves


Estude e informe-se em:

NOSSA LÍNGUA_NOSSA PÁTRIA - Um sítio a serviço da Língua Portuguesa, da Educação e da Literatura Brasileira.

www.nlnp.net

E-Mails: nlnp.ep@terra.com.br
        nlnp_edu@yahoo.com.br

Responsável: Prof. Eduardo F. Paes (Porto Alegre, RS)


"É pela educação, mais do que pela instrução, que se transformará a Humanidade." - Allan Kardec


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